Crítica Literária


Auto-tradução e experimentação interlinguística na génese d'"O Marinheiro" de Fernando Pessoa


Claudia J. Fischer

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Palavras-chave


Pessoa, tradução, auto-tradução, Marinheiro, drama


Resumo


É conhecido o facto de Fernando Pessoa ter traduzido vários poetas quer para o inglês quer para o português. Pouco sabemos contudo do seu trabalho enquanto tradutor da própria produção literária. Se Álvaro de Campos, por exemplo, se dedicou à auto-tradução de dois dos seus poemas, deixando-nos versos de "Opiary" e de "Naval Ode", já o ortónimo escolheu "O Marinheiro" - seu "drama estatico n'um quadro" publicado no nº1 da revista

Orpheu em 1915 - para o verter para as línguas francesa e inglesa. Nunca publicados e deixados em estado fragmentário, estes textos revelam não apenas uma condição de translinguismo muito evidente na restante obra de Pessoa como também processos de experimentação interlinguística que merecem ser analisados. Compararei passagens escolhidas, verificando se as versões diferem consoante as línguas de chegada. Com base nesta análise, procurarei finalmente apurar se se trata de traduções da versão portuguesa ou antes de esboços de criação poética directamente em francês e em inglês. Em anexo ao artigo serão apresentadas imagens de todos os manuscritos e dactiloscritos referentes a "O Marinheiro" nas três línguas, com respectivas transcrições e variantes.

Keywords


Pessoa, translation, self-translation, Marinheiro, drama

www.brown.edu/Departments/Portuguese_Brazilian_Studies/ejph/pessoaplural/Issue1/PDF/I1A01.pdf




Paiva, Manuel (2013), " Como Respiram os Astronautas, Educação, Tenacidade, Sucesso", Lisboa: Gradiva

 


EDIÇÃO REVISTA E AUMENTADA 
Sinopse

Como Respiram os Astronautas é um convite para passear nos bastidores da aventura que é a investigação cientifica, na companhia do autor e dos exploradores dos tempos modernos que são os astronautas. A aventura passa-se no meio interdisciplinar da Física Biomédica que está hoje a revolucionar a Medicina. O autor tenta demonstrar que a riqueza de um país está na matéria cinzenta da nova geração, que só pode ser valorizada pela dedicação e competênia dos professores que a instruem, apoiada por uma população cientificamente culta. 

Excerto:

" (...)Correndo o risco da solenização e do enfatuamento, deixem-me amigos, num momento de mansa loucura, dirigir-me ao Portugal que está aqui a flutuar entre nós por sobre a mesa: Terei tempo para ti, Portugal, os teus belos lugares e múltiplos prazeres e o convívio da nossa língua. Mas não quero. Os teus prantos e queixumes desgostam-me. Sou um português de além,  livre e feliz! Tenho o gosto do Universo, quero ser rico de países, não de pátrias. Os meus sonhos não morrerm por ti. Porque então viveria em ti a última margem da minha vida (...)"

 

Crítica de Onésimo Teotónio Almeida, " Na Diáspora à mesa de Portugal", in JL, 9 a 22 de Julho 2014.

Excertos

"No mundo lusósofono, para além dos lusitanistas, há redes dispersas de portugueses ligados ao mundo da investigação que, a par do seu trabalho científico, nas suas áreas não deixa de, volta e meia, pôr-se a refletir sobre Portugal. Um deles é Manuel Paiva, que acaba de lançar a 2ª edição do seu Como Respiram os Astronautas, uma espécie de viagem autobiográfica destinada a inspirar futuros cientistas portugueses, daí o subtítulo: Educação, Tenacidade, Sucesso".

(...)

O livro está estruturado em quatro partes correspondendo a quatro conversas à mesa.

(...)

So quase 400 vivíssimas páginas, altamente informadas, pejadas de argutas observações e cumplicidades, eivadas de uma profunda relação com a pátria-mãe, não a fábrica de saudades doentiamente carregadas  às costas ou na bagagem, mas amada mesmo na distância e sem a mórbida vontade de quem acha mal uma vida porque longe do ninho.

(...)

São variadíssimos os temas, inúmeros mesmo, (...) O facto de, sendo todos biblingues, se sentirem em casa na língua portuguesa, cordão umbilical que os liga ao torrão-berço, faz com que, até nas divergências plíticas e ideológicas em geral,  que mantêm e cultivam, Portugal seja a praça pública onde a mesa belga , em torno da qual se sentaram nos dias destas conversas, parece ter os pés assentesalgures entre o rio Minho e a costa do Algarve no sentido norte-sul, e a fronteira de Espanhae o Atlântico no sentido este-oeste, que o mesmo é dizer no Rectângulo do nosso (des)contentamento. (...)