Ambiente e Recursos

Cunha, Tiago Pitta e (2011), Portugal e o Mar, A Redescoberta da Geografia, Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Excertos


    A dimensão marítima da globalização é óbvia. O fenómeno, que sofreu um impulso importante com os Grandes Descobrimentos dos séculos XV e XVI - em que Portugal teve um papel importante - acelerou-se fortemente nos últimos vinte anos, principalmente desde o fim da Guerra Fria. O principal motor da globalização são as trocas comerciais internacionais entre diferentes países e regiões do mundo. Ora, o comércio internacional é possível única e exclusivamente -quase - pela existência do mar, uma vez que mais de 90% do comércio internacional se processa por mar.

    A Europa não foge à regra e, por isso, quase 90% do seu comércio externo processa-se também por via marítima, através dos seus portos e dos seus navios. Daqui decorre que é importante para a Europa continue a impor-se a nível mundial como a potência naval que sempre foi e que ainda vai sendo.

    Com efeito, como escrevi acima, é na Europa que se encontra a rede de portos de mar mais bem apetrechada e é neste continente que reside a maior frota de marinha mercante do mundo. A relevância dos transportes marítimos para a Europa é ainda maior se compreendermos que o fenómeno da deslocalização de empresas, o qual, por sua vez, decorre da globalização, também encontra expressão acentuada, neste continente, que tem visto emigrar uma parte das suas empresas produtoras de bens (manufacturas) e serviços nas últimas décadas para outras regiões do mundo. Assim, se a televisão que antes era fabricada na Alemanha ou na Holanda passa agora a chegar-nos da Coreia do Sul ou da China, na perspectiva do consumidor europeu é fundamental assegurar que o custo do transporte não vai ser muito elevado, o que contribuiria para o aumento do preço final dos produtos e logo para a diminuição do seu poder de compra. E, para influenciar o custo do transporte, imposta com certeza que quer o transporte marítimo quer a operação portuária correspondam a níveis de competitividade e de produtividade muito elevados que só poderão ser assegurados pelos europeus se eles próprios controlarem esses factores logísticos.

    O que é verdade no caso da importação de bens para a Europa também é verdade no caso das exportações. Economias exportadoras requerem transportes marítimos baratos e competitivos. Veja-se o caso da Alemanha, por exemplo.

Aqui reside a importância estratégica das indústrias navais europeias.

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Combate à poluição do mar

As medidas de prevenção da poluição marinha tiveram início em Portugal no século XIX. Mas foi só com o Decreto-Lei nº90/71, de 22 de Março, que se passou a proibir, nos espaços sob jurisdição da autoridade marítima, o despejo directo ou indirecto de todo e qualquer produto susceptível de causar poluição; este diploma estabeleceu ainda o respectivo regime sancionatório e atribuiu competências aos capitães de porto para aplicar coimas.

Com o Despacho do Ministro da Marinha nº11/73, de 29 de Janeiro, definiram-se as atribuições dos organismos do Ministério da Marinha na acção contra a poluição marinha e foi criado o Serviço de Combate à Poluição do Mar por Hidrocarbonetos (SCPMH), na dependência do então director-geral dos Serviços de Fomento Marítimo (hoje director-geral da Autoridade Marítima).

Após vários sinistros marítimos graves, e em especial após o derrame de cerca de 30.000 toneladas de crude do navio-tanque “Aragon” ao largo da Ilha de Porto Santo, e que vieram a aterrar nesta ilha em Janeiro de 1990, foi criado o Plano Mar Limpo (designação abreviada de “Plano de Emergência para o Combate à Poluição das Águas Marinhas, Portos, Estuários e Trechos navegáveis dos Rios, por Hidrocarbonetos e outras Substâncias Perigosas”), um regulamento administrativo independente, aprovado e posto em vigor pela Resolução do Conselho de Ministros nº25/93 de 15 de Abril (RCM 25/93), que estabelece uma organização para a acção, relativa ao combate à poluição marinha.

Em 1996, em complemento do Plano Mar Limpo, foram criados e aprovados os Planos de Intervenção Regionais (relativos a cada um dos cinco Departamentos Marítimos) e Locais (relativos a cada uma das 28 capitanias).
A RCM 25/93, estabelece que o enquadramento conceptual do Plano Mar Limpo se fará pelo Programa Estratégico de Apoio ao Plano Mar Limpo, já elaborado e que aguarda aprovação.

O Plano Mar Limpo e os Planos de Intervenção estão de acordo com as orientações da International Convention on Oil Pollution Preparedness Response and Co-Operation, de 1990 (OPRC-90), que Portugal ratificou em 1993.
Também cumprindo as orientações da OPRC-90 foi concluído em Lisboa em 17 de Outubro de 1990, entre a Comissão Europeia, a Espanha, a França, Marrocos e Portugal o “Acordo de Cooperação para a Protecção das Costas e das Águas do Atlântico Nordeste contra a Poluição”, correntemente designado por Acordo de Lisboa, no âmbito do qual foi criado o Centro Internacional de Luta contra a Poluição no Atlântico Nordeste (CILPAN), também com sede em Lisboa.

Importa também referir o Decreto-Lei nº235/2000, de 26-Set, que enquadra juridicamente os ilícitos de poluição marinha. Este diploma legal estabelece que a negligência e a tentativa são sempre puníveis e estabelece coimas que variam entre €750 e €2.500.000, em função da gravidade do episódio de poluição.

Autoridade Marítima


Poluição: plásticos em mar alto sofrem decomposição contaminando a água

                                 
                                    
                                                       

Ao contrário do que se pensava, cientistas provaram recentemente que alguns plásticos em alto mar sofrem uma rápida decomposição libertando compostos químicos na água que podem, em determinadas doses, perturbar os sistemas hormonais da fauna marinha.

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